27/11/2007
Hoje, 28 de novembro de 2007, inicia-se o rito de desmassacre de Canudos. Lá, onde nasceu Antônio Conselheiro, o Teatro Oficina Uzyna Uzona apresenta em cinco dias de festa a tragycomedyaorgya ‘Os Sertões’, adaptação da saga de Canudos registrada há 105 anos por Euclides da Cunha.
O processo de montagem de Os Sertões demorou seis anos para terminar, com a última estréia, da peça A Luta 2, em maio de 2006. Durante esse período, cerca de 200 pessoas de todo o País, entre artistas e técnicos, passaram pelo Teatro Oficina contribuindo com a obra e deixando suas impressões autorais, na cenografia, figurinos, direção de arte, atuação e composição musical, entre outros.
Construída com a atuação aberta de platéias em ensaios e recriada permanentemente nos seus quase 300 espetáculos encenados em São Paulo, São José do Rio Preto, Recklinghausen, Berlim (Alemanha), Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Quixeramobim e, agora, Canudos, as peças têm como inspiração impedir o massacre do Oficina pelo Grupo Sílvio Santos, que quer construir um shopping center no entorno na sede da companhia em São Paulo. Além disso, as montagens também visam propiciar a expansão do Oficina em outro caminho: um Teatro de Estádio, uma Universidade de Cultura Popular Brazyleira de Antropofagia e uma Oficina de Florestas.
De 28 de novembro a 2 de dezembro de 2007, a epopéia de Os Sertões, com elenco do Oficina e de artistas da região, ficará em cartaz, pontualmente às 17h30, no Estádio de Futebol Municipal de Canudos.No dia 02 de dezembro, também Dia do Samba, serão celebrados os 105 anos do lançamento da primeira edição do livro, publicado no Rio de Janeiro em 1902.
O espetáculo constitui um verdadeiro movimento cultural e político que começou sua turnê nacional em Salvador, no fim de agosto de 2007. As apresentações em Canudos marcam também o pedido mundial de reparação do desmassacre deste ponto tabu nacional.
Com o manifesto IÓ! Brasileiros!, José Celso Martinez Corrêa, diretor artístico do Oficina, lançou o desafio dessa temporada e uma grande mobilização nacional, através dos mais diversos setores de poder e do próprio povo brasileiro.
Assim, Os Sertões em Canudos faz parte de um movimento internacional de conclamação para uma fundamental correção histórica, que o Brasil deve à cidade, completamente massacrada desde o incêndio que matou ao menos 25 mil pessoas e marcou o fim da quarta expedição enviada pelo Exército ao Arraial em 1897. Até hoje, a cidade vive negligenciada pelos investimentos sociais e econômicos do país.
Pra lá de Woodstock
A viagem para Canudos não vai se limitar aos cinco dias de apresentação das peças que formam a chamada ‘maratona’. Vai, sim, ser parte de uma campanha que já começou pelo crescimento do sertão brazyleiro, por investimentos imediatos que propiciem o desenvolvimento econômico potencial da região, e com ele, sua revolução cultural e histórica.
Nova Canudos, a terceira cidade construída desde Conselheiro, está localizada à beira do açude de Cocorobó. Lá, a primeira Canudos, berço do primeiro (e talvez único) grande exército brasileiro, foi massacrada e submersa. A grande represa que hoje existe ainda não emprega todo seu potencial de irrigação, ao mesmo tempo em que o turismo cultural e a força econômica da cidade ainda não desabrocharam na primavera sertaneja.
Canudos em transe
Canudos, que hoje 14.668 habitantes segundo o IBGE, ganhará mais 1,5 mil durante os cinco dias de apresentação de ‘Os Sertões’, e coloca o pé na estrada carregando cinco toneladas de cenário e objetos de cena e 2,5 mil figurinos. No palco estarão 47 atores, músicos, dançarinos e atores mirins do Movimento Bixigão, mais dois câmeras ao vivo, quatro contra-regras e, nos bastidores outros 17 profissionais entre iluminadores, sonoplastas, VJs, produtores, camareiras e time de apoio.
A visita de ‘Os Sertões’ à cidade pode ser considerada uma Quinta Expedição, já que está sendo preciso trazer uma infra-estrutura de batalhão ao local. Muito disso se deve ao fato de grupos de espectadores de diversas partes do País estarem formando caravanas rumo a Canudos, a Jerusalém dos Sertões, a fim de assistirem aos espetáculos.
Os grupos culturais encontrados por Zé Celso no dia 27 de outubro, na II Conferência Estadual de Cultura da Bahia, estão convidados para este encontro nacional de várias descendências no eterno retorno de negros fugidos, índios, brancos, brazyleiros do mundo inteiro. Para este grande banquete ele também pede aos nossos representantes nos Poderes Constituídos, que levem presentes e oferendas a Canudos.
‘Os Sertões’ em Canudos
A Terra – 28/11/2007
O Homem 1 – 29/11/2007
O Homem 2 – 30/11/2007
A Luta 1 – 01/12/2007
A Luta 2 – 02/12/2007
Todos os dias às 17h30 Estádio Municipal de Canudos
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