04/08/2008
Ió! Sérgio Sálvia
Q regressão!
Há 50 anos, a decadência e a morte do OficinaUzynaUzona é decretada pelos hate groups que invejam nossa persistência, altivez e ousadia.
Eu sabia q este seria o tema vedete deles, dos juízes de deus e dos empregados a serviço do rebanho, nesta única cidade do mundo que não sabe dar valor a si mesma, seus artistas, suas vitórias. Nossos 50 anos sempre no unguento do tempo, flor de estação do OficinaUzynaUzona provocam inveja, e vontade de matar.
Como você consegue exercer a Arte da Crítica se não superou o julgamento de deus, o crítico-juiz ? Um Crítico Artista tem que estar atento aos fenômenos que se passam diante dele, numa Pista de Teatro, principalmente quando artistas entregues, amantes de sua arte produzem, criam, atuam suas obras. O Teatro é uma Arte da Interpretação, e a crítica vale quando é tambem como o que critica, uma Arte de Interpretação, que nada tem a ver com o julgamento metafísico, de algo que seja bom ou mau.
Você não precisa ficar encerrado neste formato paulista-uspiano, inventou mais um ismo, com esta Ideolgia do Narcisismo dos Atores do Oficina. Este formato, sente-se esmagado, pelo talento do Sol, do Guilherme Calzavara, um dos maiores atores artistas, cantores, dançarinos, músicos, aparecidos em todos os tempos; do gênio musical das atuações das vozes de Naomy, de Célia, a Cantora de voz de Ouro, de Adriana Caparelli, Letícia Coura, da Banda Maravilhosa aoVivíssimo, do grande Pascoal da Conceição, das Estrela Ana Gui e o menino Ariclenes, de Sylvia, Lucas e Camila, e lá vai etc. Todos são mesmo Divos. Cultivamos o Carisma, o que faz com que você que vê do ponto de vista do formato paulistas-classe média-cabeça e feio, achem isso terrível, e criam este novo ismo pretendendo nos ferrar: Narcisismo .
E a direção de Marcelo Drummond trouxe o humor divino, diabolicamente pueril, de Luis Antônio, precursor do besteirol mitológico, dando este diferencial onírico, trazendo a beleza do Sonho de Luis, pro Oficina?
Depois de Mircea Eliade, Rimbaud, Jung, todos sabemos que as maiores besteiras são sinais a q temos de estar atentos, pois atingem as camadas mais fundas da experiência humana. Eu me orgulho de ser um velho gagá, criança. Nunca matei meu erê. Este formato careta de intelectual paulista uspiano nasceu velho… De todo coração, espero q caia tua ficha, que Cosme Damian e Doum agora vindos em outubro e com eles OS BANDIDOS, te façam receber seu erê.
Outra mania é essa de referir-se em suas críticas mal humoradas aos nossos maus versos.
Versos caipiras. Luis adorava sagrar as coisas consideradas mais tolas, e isso não é tão novo assim, vem da arcaica antropofagia. Tabu em Tótem. E outra, quando Luis escreveu esta peça não havia o Habib’s, e nem Marcelo quis atualizar. E os versos são hilários, e nada politicamente corretos, dançados, cantados com o público e puxados pelo delicioso músico cantor árabe pernambucano Adriano Salhab. Outro Titã em cena.
CECIL B. DE MILHO
Ai que loucura esta vida
turca de sempre arrotar kibe!
TODOS
Ya Habib, Oh, Ya Habib!
Vamos todos comer kibe!
Ya Habib, oh, Ya Habib!
Ai mas que fedor!
Ai que fedor, Ya Habib!
Ya Habib, Oh, Ya Habib!
Bem querido amigo, sem hipocrisia, desejo mesmo que você saia do armário deste realmente imaturo, idiotamente pueril juízo de deus
e descubra o Poderoso Artista q você pode ser na tua Arte, que é a de Interpretar. Nós todos Artistas de Teatro precisamos muito do talento dos Artistas da Crítica plena de Imaginação, da Arte de Interpretar o fenômeno teatral que praticamos.
Vamos deletar pro lixo da história os críticos prestadores de serviço e os Juízes morais ideológicos.
E quer este formato careta queira ou não, o OficinaUzynaUzona é mesmo um Milagre, está mais vivo que nunca. Como o Sol, nascendo e morrendo e renascendo todo Dia, toda Noite. Sem deixar de retornar sempre a seu eterno retorno que não tem nada a ver com repetição.
OURO
TEXTO DA FOLHA:
São Paulo, sábado, 02 de agosto de 2008
Crítica/”Cypriano e Chan-ta-lan”
“Revista” do Oficina se dilui em narcisismo e “ungüento do tempo”
Baseada em texto inédito de Luis Antônio Martinez Corrêa, encenação tem narrativa de uma puerilidade auto-indulgente
SÉRGIO SALVIA COELHO CRÍTICO DA FOLHA
Comemorando 50 anos por meio da retomada da obra de Luis Antônio Martinez Corrêa (1950-1987), o Teatro Oficina, após “Taniko, o Rito do Mar”, propõe “Cypriano e Chan-ta-lan”. Ao contrário de “Taniko”, última encenação de Luis Antônio, que buscava a contenção por meio da fábula de Zeami e de Brecht, o extrovertido “Cypriano” é seu primeiro texto como dramaturgo, em parceria com a atriz Analu Prestes, que iniciava como figurinista e cenógrafa a carreira de artista plástica. O texto, inédito até hoje, conserva a excitação febril daqueles tempos, prenunciando a resistência pela alegria, o “desbunde”. Em 1973, recém-lançado pelo sucesso de “O Casamento do Pequeno Burguês”, de Brecht, Luis Antônio celebrava a associação livre de temas, entre o ritual psicodélico e alegorias do teatro de revista. “Cypriano” pode ser considerado uma revista pessoal, permeada de piadas internas, experimentando a épica do “Teatro Musical Brasileiro”, que viria a ser seu foco principal. Unindo “Alice no País das Maravilhas” com a rainha Mab de Shakespeare e outros arquétipos que parecem sair de “Macunaíma”, a peça narra as desventuras do príncipe Cypriano em busca da sua amada princesa Chan-ta-lan, raptada em um domingo de primavera. Sua missão, como na “Flauta Mágica”, de Mozart, é a de resgatar a alegria em meio aos perigos de um tempo de caretas e milicos, por meio da obtenção do milagroso “ungüento do tempo”. O Oficina sempre buscou esse ungüento, ou seja, expressar o aqui e agora do grupo e da política, seja qual for o tema do espetáculo. Aqui, falha. Apesar de ter na manga vários arquétipos pessoais, como a energia da auto-estima reconquistada dos adolescentes do Bixigão, o diretor Marcelo Drummond deixa a peça se diluir no arbitrário, justificada apenas pelo narcisismo de seus protagonistas. Assim, a narrativa se interrompe em parênteses intermináveis para que cada um possa brilhar em seu monólogo, com uma puerilidade auto-indulgente, reforçada por versos constrangedores, como o que exalta o “cafuné no calo do pé” ou o fedor do quibe de Habib’s. Tratada como clássico, a brincadeira inconseqüente de Luis Antônio e Analu Prestes acaba soando arrogante, menosprezando previamente todos os que não possuem os códigos privados dos clubbers dionisíacos, que vêm trocando seu patrono por Narciso. Os fiéis que vão para tirar a roupa adoram. Mas, ao ficar na contemplação de seu umbigo, o Oficina pode se tornar obsoleto. Sempre será bem-vinda a revista de Luis Antônio. Mas aos poucos, no Oficina, muito se revê, e pouco se revista.
CYPRIANO E CHAN-TA-LAN Quando: sábados, às 21h, e domingos, às 19h; até 17/8
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