ÚLTIMOS DOIS ESPETáCULOS DE TANIKO


20/06/2008

TEATRO OFICINA apresenta os últimos dois espetáculos da 1ª criação de seu cinquentenário – Dias 05 e 06 de julho, com gravação ao vivo para o filme que será realizado a partir do espetáculo no segundo semestre desse ano

TANIKO – O RITO DO MAR
um Musical Nô, Bossa-nova TransZênico

Encerra temporada em São Paulo, sábado às 21:00hs e domingo às 19:00hs, 05 e 06 de julho.

Crítica de Mariângela Alves no Estadão
Crítica de Sérgio Sálvia na Folha
Fotos da Temporada

Peça da Companhia de Zeami (1363 a 1443), ator, compositor, diretor, dramaturgo, dançarino, filósofo, o grande Criador do Teatro Nô, o Shakespare Japonês.

A personagem principal é o KOGATA, nome da entidade de Criança, Ator Principiante no Teatro Nô, interpretado por Ariclenes Barroso, vindo do Bixigão, trabalho do Oficina com as Crianças do Bixiga, formado na Universidade de “OS SERTÕES”, tem aqui sua primeira protagonização à altura de seu enorme talento.
Marcelo Drummond com sua vasta experência de protagonista do Teatro Oficina faz o WAKIO MESTRE, apaixonado, como todo bom MESTRE, pelo ator principiante da companhia, a Criança.
No Teatro Nô o WAKI é a entidade ligada ao aqui agora, ao que chamamos “Realidade”, opõe-se ao SHITÊ, entidades que encarnam o CÉU, os DEMONIOS e os FANTASMAS.
No caso 3 performances magníficas da atriz em plena ascenção, Sylvia Prado, que faz: : MÃE, CACILDA-ARIADNE-LULÚ, O DEMÔNIO GINGAKÚ.
Corifeados pelo TSURI, Segundo Mestre, interpretado pelo ator cubano Hector Othon, há o CORO DE IAMABUCHIS, mochileiros budistas formado pelo CORO DE PROTAGONISTAS treinados na nova tuação rebolada, respirada, cantada dançada: Ana Guilhermina, Anthero Montenegro, Camila Mota, Flávio Rocha, Julianne Elting, Lucas Weglinski e Rodrigo Andreolli. A sofisticada banda dirigida com rigor, poesia e humor por Guilherme Calzavara, que segura e solta o espetáculo da Bateria, juntamente com Camilo, Adriano Salhab na Guitarra e Violão, Marcos e Rogê no Baixo, Rodrigo Gava na Sonoplastia e no Teclado, também na Guitarra e Violão, e Ricardo Nash na Flauta de Buda.

O Ritual iniciático de um Novo Corpo, uma nova Anatomia, forjada na Bigorna agora Dourada das Bodas de Ouro dos 50 anos do Oficina Uzyna Uzona exigiu um treinamento intenso da kundaline, da respiração tântrica em que inpira-se e expira-se pelo ânus, um CRÉO sublimado na beleza das batidas também cinquentenárias da Bossa Eternamente Nova.


ENREDO

Os monges andarilhos budistas, mochileiros, Yamabuchi peregrinos, no porto de kobe, no Japão em 1908, tomam o navio kasatu Maru que parte para o Brasil, desejosos de aventuras. Atravessam os Mares Míticos do Japão, até Santos, em meio aos que buscam trabalho nas fazendas de café do Estado de São Paulo com destino ao Porto de Santos,chamado por eles de Porto dos Santos. passam por vearias provas a caminho, as mesmas que o povo japonês passou nestes 100 anos, da Bomba de Hiroshima, ao Tsunami e sua vitória sobre todas as adversidades. No Barco vem o Menino, KOGATA.

Arrisca-se ao deixar a Mãe doente no Japão, a seguir com o Mestre e os Mochileiros, para o Brasil, sabendo da existência da GRANDE LEI que estabelece que quem nesta VIAGEM INICIÁTICA for tomado de um grande cansaço, ou ficar doente, tem de estar de acordo em dizer aos companheiros que sigam em frente e o deixem no caminho. O KOGATA é vencido pelo cansaço, na Longa Viagem, quando o Barco encalha na Ilha de Inhatú Mirim em Florianópolis. Esta parada forçada é o lugar escolhido pelo desconhecido para a Tragédia acontecer.

O Menino KOGATA atira-se aos braços do Mestre e revela não estar mais aguentando o cansaço da Viagem. O Mestre inquieta-se e procura acalmar o Menino. O TSURI, Segundo Mestre, e os Iamabuchis ouvem o Menino fazer esta confissão e entristecidos decidem praticar com ele o “RITO DO MAR” deixando-o abandonado no Mar, de Acordo com a Grande Lei. Mas o Cogata diz Não. Exige que o comam, e depois o joguem morto no mar, pois não quer morrer só, no Oceano.

Os Iamabuchis cumprem o Rito apesar do MESTRE tentar impedir. Depois do feito, o Mestre apaixonado pelo discípulo, não quer mais seguir a viagem e pede para ser submetido ao “RITO DO MAR”. Os Iamabuchis desesperados não sabem mais o que fazer e ficam paralisados na Embarcação, esperando a Morte. Mas o MESTRE diante do desespero de todos, concorda em continuar a Viagem, se a Grande Lei for transmudada em:

NÃO SE MATA O QUE SE AMA 

Invoca o Poder de Zeame, o criador do Nô para inspirá-los no que fazer, para ter de volta o Menino KOGATA.

Zeame interpretado por Zé Celso, surge, e incita-os a continuar até o Porto dos Santos onde o Marinheiro Negro da Embarcação, que queima nas Fornalhas do Navio, virará BUDA BUNDO e trará o Menino de volta, num Rito de Teatro de Candomblé.

Eles seguem viagem, chegam ao tão esperado Porto de Santos e encontram-se com CACILDA ARIADNE LULU, que dá a eles o fio do LABRYNTRO pra encontrar o BUDA BUNDO no Terreiro do Fundo do Mundo. Com seu fio em Caracol vão percorrndo o Labryntro até encontrar o BUDA BUNDO, interpretado pela cantora Célia Nascimento que Invoca o Demônio GINGAKÚ e tira o Menino do Mar.

O IOGUI BRASILEIRO SÃO JOÃO GILBERTO é invocado no Canto de retorno do Kogata à vida.

Assim, a Bossa Nova, nesta peça revela-se influenciada não somente pelo Jazz, mas também pelo Zen Budismo. Nem deve ser por outra razão que João Gilberto ama e é tão amado no Japão, onde depois do Carnegie Hall em Nova York, vai dar seu Show dos 50 anos da Bossa Nova.

O musical traz ao Yoga, o rebolado da Bossa Nova e passa como uma Meditação teatralizada, em que o público sai em Catarsis pela Luz emanada do BUDA BUNDO.

REALIZAÇÃO
Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona

DIREÇÃO
José Celso Martinez Correa

PRODUÇÃO
Bia Fonseca

FIGURINOS
Sônia Ushiyama

ESPAÇO CÊNICO
Rafael Ghirardello

LUZ
Ricardo Moranez

Com assistência de

Rafael Ghirardello

CÂMERA E DIREÇÃO DE VÍDEO
Gabriel Fernandes

MESA DE CORTE
Jair Molina Jr

DIVULGAÇÃO
Francine Ramos

DIREÇÃO DE CENA
Aguinaldo Rocha
Aneliê Schnaider

Assistência

Jonathan

CAMAREIRA
Cida Melo


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